Programa piloto instala 250 contadores em Lisboa. Resultados serão
conhecidos em Dezembro e vão ditar avanço do projecto
E se um dia já não precisar de telefonar a enviar as
leituras da água, luz e gás nem de se preocupar com as
estimativas, e muito menos em ter de abrir a porta ao funcionário
que vem fazer a contagem? Tudo isso pode tornar-se realidade mais depressa
do que se pensa, graças ao desenvolvimento de tecnologia adequada,
que neste momento se encontra a ser testada na zona da Avenida João
XXI, em Lisboa.
Para já são apenas 250 contadores - em fase de instalação
- que vão permitir a realização do estudo. Mas
o JN sabe que, se tudo correr como se espera, a EDP (Electricidade
de Portugal) poderá avançar com a instalação,
na capital, de três a cinco mil unidades.
Os primeiros estudos deste tipo de tecnologia foram realizados por
um consórcio designado Inov, criado pelo Instituto de Engenharia
de Sistemas e Computadores (INESC). Aqui foi desenvolvido um sistema
de telegestão de energia, permitindo, assim, a contagem do consumo
e o seu envio automático.
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"As leituras são enviadas
pelos contadores da água e do gás que, através
do sistema, comunicam com o contador da luz. Este, por sua vez, envia
a totalidade dos dados para a rede eléctrica até uma central
que os processa", explicou ao JN João Costa, responsável
do Inov pela coordenação do projecto. "Nos casos
de fraca densidade populacional, ou quando não seja possível
utilizar a rede eléctrica, recorremos ao sistema GSM (Global
System for Mobile Communications) - o utilizado para as comunicações
móveis - ou à rádio-frequência", acrescentou.
Segundo o coordenador do projecto, a telecontagem de energia permite
que apenas uma operadora (EDP, EPAL ou DGP) possa aderir individualmente
ao sistema. Mas, "do ponto de vista económico, é
mais viável se forem as três a usufruir da telegestão".
"O desenvolvimento deste sistema já tem uma longa história",
contou João Costa. De acordo com este responsável, os
primeiros estudos foram realizados em 1991, em conjunto com o Instituto
Nacional de Energia e Tecnologia Industrial (INETI). No INESC, o projecto
foi liderado por Luís Vidigal, entretanto falecido, que, segundo
João Costa, "foi o grande motor do processo". O técnico
destacou ainda o empenho de dois responsáveis da EDP - Leuschner
Fernandes e Ribeiro e Sousa - "por manterem uma equipa da EDP dedicada
ao projecto.
Mais tarde, os trabalhos foram alargados à EPAL (Empresa de Águas
Livres de Lisboa) e à GDP (Gás de Portugal) por intermédio
de um programa financiado pelo PEDIP (Programa Específico de
Desenvolvimento da Indústria Portuguesa), chamado Gerês.
Os testes a estes equipamentos que estão a ser realizados na
envolvente da Avenida João XXI estão integrados num projecto
piloto. Esta zona foi escolhida por ser "mais fácil de controlar
do ponto de vista logístico". Do grupo de trabalho que acompanha
o projecto piloto, fazem parte representantes da EDP, EPAL e Gás
de Portugal.
"Estamos a instalar 250 contadores em residências escolhidas
pelas três operadoras", precisou João Costa, acrescentando
que "numa das habitações a transmissão de
dados entre os contadores de água e gás e o contador de
electricidade está a ser feita através de rádio-frequência".
Quando o projecto piloto terminar -em princípio, no final do
ano -, as operadoras decidirão acerca da encomenda e instalação
de novos contadores. "Apesar das intenções manifestadas,
ainda não recebemos formalmente uma encomenda", revelou
João Costa.
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