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| CICLOPE – Sistema Integrado de Videovigilância
Florestal
Paulo Relvas (INOV) | |
CICLOPE – Sistema Integrado de Videovigilância
Florestal
Paulo Relvas (INOV) |
A detecção
precoce de incêndios florestais e a rápida intervenção
dos meios de combate são factores fundamental para
que estes não atinjam proporções difíceis
de controlar.
Actualmente, o principal mecanismo organizado de vigilância
e detecção de incêndios florestais é
a RNPV - Rede Nacional de Postos de Vigia, coordenada ao nível
distrital pelos CPD - Centros de Prevenção de
Detecção. |
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A RNPV da responsabilidade da DGRF – Direcção
Geral Actualmente os CPD funcionam no período de Junho
a Setembro nos CDOS – Centros Distritais de Operações
de Socorro, facto que veio aumentar a eficácia da comunicação
e coordenação entre estas duas entidades dos
Recursos Florestais, é composta actualmente por 237
PV – Postos de Vigia, distribuídos por todo o
território de Portugal Continental. A RNPV foi oficialmente
criada pela Portaria n.º 341/90, de 7 de Maio, sendo
o PV de S. Lourenço em Manteigas o mais antigo, construído
entre 1928 e 1931. Na década de 30 foram construídos
mais três PV na Mata Nacional de Leiria e de um outro
na Mata Nacional do Pedrógão. Dos PV actuais,
72 % só foram instalados a partir de 1980.
O funcionamento da RNPV depara-se ano após ano com
uma dificuldade crescente de recrutamento de pessoal, a que
não é alheio o facto de se tratar de um trabalho
sazonal realizado na esmagadora maioria dos casos em condições
abaixo do limiar actualmente aceitável de condições
de trabalho. Segundo dados oficiais, os custos anuais com
o funcionamento da RNPV e CPD ascendem a 3.8 milhões
de euros, o que corresponde a cerca de 4% das verbas previstas
para 2005 para prevenção, detecção
e pré-extinção de incêndios florestais. |
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Figura 1 – Rede Nacional
de Postos de Vigia |
Em todas as actividades
humanas, a adopção de tecnologia trouxe acréscimo
de produtividade e eficácia, facilitando e agilizando
essas mesmas actividades. Também na vigilância
da floresta a tecnologia é decisiva na melhoria da
eficácia da detecção. Portugal dispõe
actualmente de conhecimento, tecnologia e suficientes projectos
piloto que permitem concluir da sua adequabilidade como solução
alternativa ou complementar aos métodos tradicionais
de vigilância e detecção.
A experiência do INOV em matéria de videovigilância
florestal remonta a meados da década de 90 com o desenvolvimento
de um projecto piloto para o Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Já nessa época, os responsáveis do Parque
se deparavam com questões operacionais de vigilância
de uma área tão vasta, pretendendo com o referido
projecto testar o conceito de videovigilância como ferramenta
complementar de apoio. Como resultado, o projecto mostrou
que a vigilância de grandes áreas pode ser realizada
com sucesso recorrendo à videovigilância.
Apesar de ainda hoje os problemas operacionais de vigilância
se manterem, o PNPG não consegui levar avante a instalação
de um sistema deste tipo. No entanto o demonstrador permitiu
que responsáveis de outras áreas protegidas
tomassem consciência do valor que um sistema de videovigilância
representa como ferramenta de gestão, não só
para vigilância contra incêndios, mas também
na vigilância de outras acções que preocupam
quem tem que gerir património natural. Da lista de
áreas protegidas que dispõe de sistemas de videovigilância
destacam-se:
o Parque Natural da Arrábida
o Reserva Natural do Estuário do Sado
o Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende
o Parque Natural da Serra da Estrela
O CICLOPE é um sistema de vigilância remota desenvolvido
pelo INOV, com recurso a conhecimento e tecnologia nacionais.
Existem actualmente em Portugal vinte e duas torres de vigilância,
cobrindo uma área de aproximadamente 500.000 ha. |
| As
previsões apontam que durante o presente ano sejam
instaladas mais 12 torres de vigilância CICLOPE, que
em conjunto com as restantes 22, passarão a cobrir
uma área de aproximadamente 1 milhão de hectares.
O CICLOPE é um sistema vocacionado para a vigilância
de grandes áreas, em particular para vigilância
florestal. Pelas suas características o CICLOPE provou
ser igualmente útil na gestão do combate a incêndios
florestais, detecção de actividades ilícitas,
estudo da natureza entre outras.
O sistema CICLOPE é composto por estações
remotas onde é adquirida a informação:
imagens, dados meteorológicos, dados de qualidade do
ar, etc. Estas estações denominadas TVAD (Torres
de Vigilância e Aquisição de Dados) são
pois os elementos capilares do sistema, ligados ao Servidor
CICLOPE através de uma rede de comunicações,
cujo suporte físico e protocolo dependem do fim a que
se destina o sistema. O equipamento instalado nas TVAD depende
também do tipo de aplicação, podendo
existir simultaneamente câmaras de visível e
infravermelho para vigilância nocturna ou detecção
automática de incêndios. |
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Figura 2 – Cobertura
nacional proporcionada pelo sistema CICLOPE. |
Em aplicações
de carácter sazonal, onde não seja fundamental
a existência de vídeo em tempo real, como por
exemplo a detecção de incêndios florestais,
poder-se-á utilizar uma qualquer rede de telecomunicações
móveis, GSM, TETRA ou CDMA. Apesar do custo com comunicações,
poderá ser interessante optar por uma solução
deste tipo, visto o investimento ser mais reduzido que numa
solução baseada numa rede privada de comunicações,
montada exclusivamente para o efeito. É obvio que a
questão da cobertura da rede de telecomunicações
poderá condicionar a utilização de uma
rede celular, se pensarmos que para a aplicação
em causa, as TVAD se localizarão preferencialmente
em zonas remotas.
A utilização de redes móveis como suporte
a sistemas de televigilância, apresenta a vantagem de
se poder instalar uma TVAD numa questão de horas, ou
permitir a existência de TVAD móveis instaladas
em viaturas automóvel. Como alternativa poder-se-ão
utilizar comunicações via satélite, que
no entanto por demasiado dispendiosas, tornam-se pouco interessantes,
ou ainda montar uma rede rádio privada, PDH (Plesiochronous
Digital Hierarchy) ou SDH (Synchronous Digital Hierarchy),
as quais permitem pela largura de banda que disponibilizam,
a transmissão de vídeo em tempo real com elevada
definição. Esta tecnologia pode exigir a utilização
de TVAD retransmissoras (TVAD-R) sempre que não exista
linha de vista entre pontos da rede, ou quando a distância
entre TVAD é muito elevada. Em ambiente urbano ou industrial
poderá se mais interessante recorrer à transmissão
por fibra óptica (OpF) ou cabo coaxial (CA). No entanto
é de reter a flexibilidade do sistema CICLOPE quanto
ao uso do meio de comunicação, podendo optar-se
por aquele que melhor se adeqúe ao tipo de utilização.
A arquitectura do sistema assenta numa estrutura cliente-servidor.
O acesso ao Servidor CICLOPE pode se realizado por diferentes
meios. O mais comum é o Centro de Gestão e Controlo
(CGC) coexistir na mesma máquina em que corre o Servidor
CICLOPE, obtendo-se assim uma solução muito
compacta e económica.O operador ou vigilante controla
a posição das |
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câmaras das TVAD através da Aplicação
CICLOPE, dispondo de um video wall para visualização
das imagens. O CGC pode ser instalado em qualquer PC com Windows
NT, 2000 ou XP, que esteja ligado em rede com o Servidor CICLOPE,
controlando e recebendo imagens das TVAD. O acesso ao sistema
é feito através de username e password, sendo
permitida a presença simultânea no sistema de
vários operadores. A gestão destes é
efectuada através de permissões e prioridades
configuráveis pelo administrador do sistema. Para uma
máxima flexibilidade, o acesso dos CGC ao Servidor
CICLOPE pode ser realizado por diferentes meios de comunicação.
O mais usual é a utilização da rede fixa
telefónica, RDIS, PSTN por modem de 56Kbps ou ADSL. |
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| Figura 3 – Torre de vigilância do
sistema CICLOPE. |
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Figura 3 – Interface do operador.
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O INOV nos serviços
de manutenção que presta, recorre normalmente
a este tipo de ligação para efeitos de manutenção
preventiva, diagnóstico e actualizações
de software.
O CICLOPE permite a interligação com outras
aplicações, nomeadamente sistemas de detecção
automática de incidentes (DAI) através de processamento
de imagens de visível e infravermelho ou LIDAR, em
particular para detecção automática de
incêndios florestais. |

Figura 5 – Detecção de uma coluna de fumo
por processamento de imagem na gama do visível. |
Para a detecção
automática de focos de incêndio, podem ser utilizadas
vários tipos de sensores. A utilização
mais comum passa pelo uso de câmaras de infravermelho.
No entanto o seu custo elevado e o facto de a câmara
ter de se encontrar em linha de vista com o foco de incêndio,
limita a área de cobertura, em particular em regiões
montanhosas. No entanto, pelo facto de serem imunes às
condições atmosféricas, o uso estes dispositivos
torna-se particularmente interessante em condições
de fraca visibilidade. Outro aspecto relevante é o
facto de permitirem identificar a frente de chamas mesmo através
do fumo. A utilização de câmaras na gama
do visível e do infravemelho próximo permite
obter uma solução com um custo por hectare substancialmente
mais baixo. No entanto esta tecnologia é mais susceptível
de gerar falsos alarmes, devido a efeitos solares e atmosféricos.
Tal como na visão humana, elevados índices de
humidade atmosférica, fumo e outras partículas
em suspensão na atmosfera, podem limitar o alcance
e eficácia da detecção. |

Figura 6 – Princípio de funcionamento do detector
LIDAR na detecção de colunas de fumo. |
Recentemente o INOV patenteou
a utilização da tecnologia LIDAR para detecção
de colunas de fumo. Esta tecnologia baseia-se no envio de
um feixe laser e analise da radiação
retrodifundida. O princípio de funcionamento é
equivalente a um radar, constituindo a coluna de fumo pelas
suas características, um obstáculo detectado
pelo sistema. Tal como as câmaras de infravermelho,
o LIDAR é fortemente imune às condições
atmosféricas. Tem ainda a vantagem de permitir determinar
com precisão a distância à coluna de fumo,
e consequentemente a localização do foco de
incêndio sem necessidade de triangulação.
Por estas razões, a tecnologia LIDAR perfila-se como
uma solução muito promissora para detecção
automática de incêndios florestais. |
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