Entrevista ao Diretor de Desenvolvimento de Negócio do INOV – INESC Inovação, John Rodrigues, sobre o posicionamento do INOV enquanto parceiro tecnológico de referência, as oportunidades estratégicas associadas ao setor Aeroespacial e da Defesa, e o papel da tecnologia e inovação disruptiva no desenvolvimento das empresas e do país. Publicada na Mais Magazine (22/05/2026).
O atual contexto europeu de investimento em Espaço, Defesa e tecnologias críticas está a abrir novas oportunidades para empresas e centros tecnológicos. Como é que o INOV se posiciona neste ecossistema?
O investimento europeu em Defesa e Espaço é hoje uma prioridade geopolítica estrutural. As cadeias de valor europeias estão a consolidar-se agora, em torno de quem já tem presença e quem está na fronteira do conhecimento. O INOV combina uma posição ativa em I&D aplicada e mais de 20 anos de experiência operacional, com credenciação a nível nacional, UE e NATO, assim como colaboração com a ESA desde 1998. Experiência acumulada e inovação disruptiva não são opostos: são o que define o INOV.
Como é que o INOV apoia as empresas no desenvolvimento, teste e aceleração de soluções tecnológicas avançadas?
Num mercado que se transforma a alta velocidade, construir internamente toda a capacidade de I&D especializada é lento e dispendioso. O INOV funciona como uma extensão qualificada da equipa técnica das empresas, acelerando ciclos de desenvolvimento, reduzindo o investimento em infraestrutura e apoiando o acesso a programas como os da ESA e a instrumentos de financiamento em Defesa. As empresas ganham velocidade, profundidade técnica e condições para se posicionarem na linha da frente da inovação. Além de que a propriedade intelectual gerada permanece na empresa.
Que tecnologias estão hoje a redefinir a indústria aeroespacial e em que domínios o INOV tem vindo a consolidar competências diferenciadoras?
Cibersegurança, IA, sistemas autónomos, infraestruturas críticas, são domínios onde a maturidade técnica se mede em décadas, mas onde a disrupção acontece em meses. O INOV mantém simultaneamente as duas velocidades: uma base sólida de competências validadas em contextos operacionais exigentes, e uma posição ativa na frente mais avançada da investigação Europeia. Para as empresas que precisam de inovar depressa sem perder rigor, essa combinação é determinante.
A convergência entre aplicações civis e de Defesa é uma das grandes tendências do setor. De que forma esta aproximação está a influenciar o desenvolvimento tecnológico e os projetos integrados pelo INOV?
A fronteira entre civil e militar está hoje esbatida e a velocidade a que novas tecnologias dual-use emergem está a acelerar. Quem não acompanhar essa transformação ficará rapidamente fora das cadeias de valor que importam. O INOV antecipou essa convergência e tem construído capacidades transversais que evoluem continuamente para acompanhar o estado da arte para aplicações dual-use.
Da sua experiência em projetos nacionais e europeus, que fatores considera decisivos para Portugal reforçar a sua relevância internacional nas cadeias de valor tecnológicas do Espaço e Defesa?
Num setor que se move cada vez mais depressa, a relevância internacional não se constrói apenas com tecnologia, constrói-se com presença consistente nos consórcios certos, no momento certo. As empresas que hoje entrarem nos programas europeus de referência estão simultaneamente a validar as suas capacidades e a posicionar-se para os contratos de maior dimensão que se seguirão. Para acelerar essa entrada sem partir do zero, é determinante ter um parceiro como o INOV que já está nessas redes, que opera na fronteira tecnológica e que conhece o terreno.